Longas noites passei em claro.
Longos dias contemplei o sol,
Na espera ansiosa por aquela
Que amei, mas que nunca veio.
No vale da esperança e na
Lagoa da alegria mergulhei,
Em busca daquela que nasceu
Para ser minha companheira.
A Lua, solidária, cantarolou
Comigo sob a Lira de Orfeu,
A canção da ninfa sagrada.
Mas... o amor não despertou!
A rosa, tão bonita e perfumada,
Ficou só, esquecida no jardim.
O amor que pulsava no peito,
Perdeu-se no sereno do outono.
Hoje, as rugas do cruel destino,
Marcam a face da primavera
Que se fez inverno, num jogo
Maldoso que nunca quis jogar.
O solitário caminho que hoje
Trilho, mostra o sopro noturno
Que apagou a chama sagrada
Do amor que não pude viver.

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