Nascido e crescido do engano,
Abandonado caminha o matuto.
Despojado, é humilhado e ferido.
Reage. Não sabe. Cai no delírio!
Na ilusão da cega visão, acredita
Na moça de vestido amarelo. Anda
Ao lado da rainha que veste ouro,
E mostra o riso nesse mundo louco.
Iludido pela cauda do cometa
Que não aquece e nem brilha,
Come a carne dada sem caça,
E saboreia o vinho do incauto.
Perde-se na encruzilhada da vida.
E sem Norte, escuta a fala do gênio
Da mentira, e vereda pelo caminho
Fácil do desencontro do anacoreta.
Envolvido pelo mundo efêmero,
Vive o prazer do gozo endógeno.
E nu, mergulha na água profunda
Da caverna uterina. Riso da bruxa!
Sugado então, na areia movediça
Da consciência, rasteja na estrada
Do sofrimento, e lamenta a penúria
Sem fim até o Juízo, que não tarda!

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