Quem sou eu

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Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brazil
Mineiro, os sete pecados capitais, a solidão, a culpa, são temas que abordo. Irmão em espírito do Lobo. Esse sou Eu.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sem Nome

Ria Humano, do gozo fétido que lhe satisfaz
E chore pelo riso pueril que escondeste...
Mergulhe na lama podre da tua piscina
E afogue asfixiado no teu cheiro sem cor.

Delicie-se no prazer do suco mofo do fruto
Que brotou na árvore seca que tiraste a seiva.
Dance a rumba com teu par esquálido sem alma
E recoste a cabeça torpe no ombro sem corpo.

Cansado, enxugue teu rosto no Mandilyon sem face
E ore para o negro céu que agora não lhe ouve.
Riste do Carpinteiro... e agora a ferpa da cruz
Fere tua consciência com a ferrugem do cravo.

Teu riso é teu acordo selado com as Chamas!
Teu choro é o passaporte que darás a Cérbero!
Teu arrependimento tardio será a dor que rasgarás
Tuas entranhas  contínuamente... Infinitamente...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Descoberta


Passo a mão no rosto esquálido
E sinto a barba rude por fazer...
Olho na janela pelo vidro quebrado
E vejo homens, mulheres... pessoas...
- “São seres vacantes!”. Murmuro.

O dia e a noite. Ciclos naturais,
Eternos, e que me trazem o peso
Dessa vida balbúrdica e tenebrosa.
Uma vida que não deveria!

O som dolorido da corrente invisível.
A dor... A chaga... A culpa e as cinzas.
Num momento de lucidez plasmática,
Estarrecido e entojado concluio:
“Deus! O homo sapiens sou eu!”


AndersonAguilar

sábado, 1 de outubro de 2011

No Roçado

Abre a vala e espalha o grão,
Grão de feijão na vala da terra.
Bate a enxada e abre a vala,
Joga o feijão na vala do grão.

Tira o chapéu enxuga a testa,
Abre a vala e espalha o grão.
Grão de milho jogado na vala,
Bate a enxada e enxuga a testa.

Não fala não para não descansa,
Bate a enxada e abre a vala.
Não pensa no suor que desliza,
Joga o grão e fecha a vala.

Segue a rotina do tempo na roça
Na esperança que a chuva desça,
E na vala que fechou, ver brotar
O alimento, prá família saciar.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Exaltação à Mulher

Tu és a guerreira e a pacificadora.
És a tempestade e a calmaria.
És o tormento e o bálsamo.
És a luz que ameniza a escuridão.

Tu és a razão da magia do luar,
A paz da canção dos barqueiros,
O romance na veia dos poetas.
- Tu és o Sopro da vida!

Do teu ventre surge a criança
E surge o menino feito homem.
Do teu peito brota a esperança.

Tu és o molde do guerreiro.
E por seres o que és, sou o
Que sou, porque tu és.

domingo, 25 de setembro de 2011

Guanhães

Guanhães, cidade Guanaã,
Terra do Ouro e do requeijão!
Terra de homens boêmios,
Terra de idealistas utópicos!

Encravada como Roma entre
Sete colinas no vale Diamantino
Das gerais, e serpenteada pelo
Rio que deu origem ao nome.

Terra da boa pinga de cana,
Do doce de leite e da goiabada,
Formadora de homens gentis,
Cavalheiros, à Dom Quixote.

Terra que se fez meu berço,
Onde cresci e me fiz gente.
Dos amigos de travessura e
Da namorada no baile decente.

- Nessa terra querida e saudosa
Que nasci num dia de inverno,
E da família Aguilar o segundo,
Quero repousar na Paz Eterna!

Sem nome

Oh! Tolo,
Ria do gozo fétido que lhe satisfaz,
E chore pelo riso pueril que escondeu...
Mergulhe na lama podre da sua piscina
E se afogará asfixiado no cheiro sem cor.


Oh! Humano,
Delicie-se no prazer do suco mofo do fruto
Que brotou na árvore seca que tiraste a seiva.
Dance a rumba com teu par esquálido sem alma
E recoste a cabeça torpe no ombro sem corpo.


Então...
Enxugue teu rosto no Mandilyon sem face
E ore para o negro céu que agora não lhe ouve.
- Riste do Carpinteiro e agora a ferpa da cruz
Fere tua consciência com a ferrugem do cravo.

Teu riso é teu acordo selado com as Chamas!
Teu choro é o passaporte que darás a Cérbero!
Teu arrependimento tardio será a dor que rasgarás
Tuas entranhas  contínuamente, infinitamente!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Woodstock


Uma guerra desmotivada,
Um tempo de protesto da
Geração que queria mudar.
Um tempo... sem tempo!

A canção que canta a paz
E chamada de resistência,
Ecoou durante três dias
No vale contrário à guerra.

Roupas em desuso e falas
Rebeldes em meio a Drogas,
Falaram da droga do mundo
Governado por homens sábios.

O hippie, reverenciado de
Contracultura pela cultura
Constituída na sociedade,
Eternizou a fazenda Bethel.

No campo do pasto esquecido,
Por três dias cantou o hippie
A paz ensinada no passado e
Que ficou perdida no tempo.

Os solos da guitarra de Hendrix,
Fizeram parar o tempo aos olhos
De bichos indiferentes e ociosos,
Entre eles, o chamado... homo.

Cantaram a paz celestial ao som
Da guitarra, baixo, cítara e gaita.
Cada um a seu modo, mas em
Comum, todos no mesmo tom.

Ao final de três dias eternos,
Os bois souberam que ainda
Era possível a na paz do mundo.
O bicho humano... Ó sábio! Bem,
Esse daí... Leu nos vespertinos.

Autorretrato


A carcaça magra envolve
O esqueleto do corpo que
Insiste em se manter ereto,
Extenuado pela luta ingrata.

O olhar triste, quase infantil,
Contrasta pela face ríspida.
- Invólucro de desamores e
Sonhos destruídos no berço!

O peito guarda o invólucro
Que deveria conter alegrias,
Mas que se tornou depósito
De melancolia e amargura.

Caminho pelas ruas desertas
Das cidades, em busca daquilo
Que se perdeu no tempo, e que
Que também já se escondeu de
Minha quase nenhuma memória.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cenas da Cidade

Deitar em trapos mal cheirosos
Alimentar-se da carne fedorenta
E caminhar pelos becos escuros.  
- Moradia de vermes traiçoeiros!

Beber o mais fino Whisky escocês
E gargalhar com a moça embriagada.
O caviar na mesa que não alimenta e
A limusine preta entre outros de luxo.

A discrepância explícita e avessa
Marca a sabedoria criada no urbano,
Enquanto o padre anda no jardim sem
Vida, feito de cimento cru e argamassa.

Retratos da grande cidade sem alma,
E que reduziu o homem à condição
De verme que pensa, raciocina e mata.
Mãe sem filho e filho perdido no vazio!

domingo, 7 de agosto de 2011

Justificativa

Não sendo Escritor nem Poeta,
Posso rabiscar traços da alma
Sem compromisso com a rima,
A métrica, os versos e a forma.

Quando escrevo, não escrevo.
Só penso... e rabisco.
- Não me importa a formalidade!
Com ela, preocupe-se o Mestre!

Os Poetas são estilistas
Nas estruturas do idioma.
Eruditos e complacentes,
Cantam para os docentes.

- O que escrevo, sou eu!
- O que escrevo, é você!
- O que escrevo... é a vida
Que nunca pude viver.

Imbecilus Natus

Nascido e crescido do engano,
Abandonado caminha o matuto.
Despojado, é humilhado e ferido.
Reage. Não sabe. Cai no delírio!

Na ilusão da cega visão, acredita
Na moça de vestido amarelo. Anda
Ao lado da rainha que veste ouro,
E mostra o riso nesse mundo louco.

Iludido pela cauda do cometa
Que não aquece e nem brilha,
Come a carne dada sem caça,
E saboreia o vinho do incauto.

Perde-se na encruzilhada da vida.
E sem Norte, escuta a fala do gênio
Da mentira, e vereda pelo caminho
Fácil do desencontro do anacoreta.

Envolvido pelo mundo efêmero,
Vive o prazer do gozo endógeno.
E nu, mergulha na água profunda
Da caverna uterina. Riso da bruxa!

Sugado então, na areia movediça
Da consciência, rasteja na estrada
Do sofrimento, e lamenta a penúria
Sem fim até o Juízo, que não tarda!

Homo Sapiens

Sentado na praça, alheio ao mundo,
Olha os pássaros voando no céu azul,
Numa suave e graciosa coreografia,
Indiferentes ao caos que os cerca.

Alheios à vã liberdade que mata,
Voam os pássaros despreocupados
Com os porquês e conceitos humanos.
A ilusória liberdade pregada e taxada.

A fumaça dos carros e o barulho
De buzinas, apitos e máquinas-tatus,
E o som melancólico de resmungos,
Pincelam a metrópole dos homens.

Embevecido pela imagem do alto,
O homem solitário, e avesso à vida
Material que lhe foi imposta, reflete
Sobre a ignorância que se diz sábia.

Abaixa a cabeça a tempo de ver
O furto cometido por um jovem.
Fruto da sábia ignorância alentada
Por homens tidos como expoentes.

Entristecido pela condição humana,
Sente a lágrima no canto dos olhos.
Chora pela vida ignóbil e mundana,
Do bicho chamado  “homo sapiens”.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Gueto

Na grande cidade triste e caótica,
A dor e a lágrima de uma criança
Eleva-se nos becos ruas e praças,
Mas perde-se em mentes insanas.

A presilha, a lágrima e o choro,
Foram deixados como prêmio
A um Ser que não queria vir.
Fruto da luxúria e do prazer.

Esquecido e deixado como rejeito,
Perambula o pobre e frágil menino
Misturado ao fétido lixo humano,
No meio de um circo desgraçado.

Crescido, ferido e convertido
No que não queria, no desvio
De uma loucura demoníaca,
É hoje o espelho do amanhã!

Amor Proibido

Vejo na lua o reflexo do amor
Solitário que vive sem viver.
Preso na sombra do anoitecer
E longe dos raios claros do sol.

Oh! Amor...
Que veio sem pedir,
Que invadiu minh’alma nua,
Revestindo-a do puro manto
Que cobriu Romeu e Julieta.

Amor que traz aconchego e paz!
Que me leva na sintonia da vida!
Amor que cheira como a rosa!
Amor clandestino, mas verdadeiro!

- Oh Deus!...
Amor que não posso revelar
Mas posso sentir, viver... Viver...
E isso já me basta, me acalma.

Amor que age como o bálsamo
Sagrado das sacerdotisas do
Antigo Egito, dos contos das
Mil e uma Noites.

- Oh! Doce e belo amor!
Sim, viverei esse amor
Enquanto permitirem os
Deuses. E saberei então que
Fui feliz... E me tornei Humano.

Criatura


No subterrâneo sombrio e escroto
Da superfície habitada pelo ignoto,
Nas galerias que se respira metano,
Produto do excremento humano,
Vive o bicho parasita e medonho.

No esgoto feito prisão e moradia,
Caminha o asqueroso Ser maldito.
O repugnante bicho escatológico
Sai em busca do alimento danoso,
Que sustenta a espécie raivosa.

Assim é a consciência humana!
Na cadeia de elétrons construída
Pelo desejo mesquinho e vaidoso,
Serpenteia estranhamente no corpo
O funesto vírus da Criatura em festa.

Enganada pela fantasia do desejo
Vive a sábia criatura, envolta pela
Ilusão de ser o mais perfeito elo,
No mundo cinza de dor e tristeza,
Gerada no gozo negro do Maldito. 

A Prostituta

A bela moça que anda           
Em sorriso e encanto,
Dança e canta na falsa
Vida do dia já morto.

Nascida do desencanto,
Nunca viveu a inocência.
A boneca sempre sonhada,
Ficou no dia nunca vivido.

No jogo que sabe jogar,
Enfeitiça e atiça na cama.
Cumpre num duro pesar
A sina a que foi fadada.

Amada num breve momento,
Busca na lágrima o consolo,
Apunhalada pela vida ingrata
E pelo amor que nunca chega.  

Lembrança dos Tempos da Escola

A voz suave ecoa pela sala,
Penetra em meu cérebro
E provoca um redemoinho
No pensamento ainda juvenil.

A palavra, chave da sabedoria,
Viaja pelo corredor de artérias
Num frenesi que anestesia o
Fogo vibrante da juventude.

Envolta no manto da sabedoria
Ensinava no brilho do sorriso.
E no gesto gentil do abraço
Convidava-nos a abraçar a vida.

Alheio ao que era ensinado e
Sem saber a questão colocada,
Ficava sem recreio como castigo
... E eu odiava a sábia professora!

Hoje, com o cabelo grisalho
Pelo tempo, relembro aqueles
Dias...  das travessuras...
E da Professora...

Amor Perdido (ao amor que nunca pude viver)

Longas noites passei em claro.
Longos dias contemplei o sol,
Na espera ansiosa por aquela
Que amei, mas que nunca veio.

No vale da esperança e na
Lagoa da alegria mergulhei,
Em busca daquela que nasceu
Para ser minha companheira.

A Lua, solidária, cantarolou
Comigo sob a Lira de Orfeu,
A canção da ninfa sagrada.
Mas... o amor não despertou!

A rosa, tão bonita e perfumada,
Ficou só, esquecida no jardim.
O amor que pulsava no peito,
Perdeu-se no sereno do outono.

Hoje, as rugas do cruel destino,
Marcam a face da primavera
Que se fez inverno, num jogo
Maldoso que nunca quis jogar.

O solitário caminho que hoje
Trilho, mostra o sopro noturno
Que apagou a chama sagrada
Do amor que não pude viver.

A Cidade

Ruas, prédios, largas avenidas.
Sombras, espectros, luz e vazio.
Risos e choros! Vida, e Morte!
Dor, alegria, alívio e tristeza.
Multidão, Solidão! Não tem flor.

Miséria. Fome. O grito de uma criança.
Carros e pessoas num vaivém frenético.
- Para onde vão as pessoas?
Ninguém sabe. Histeria. Um sino repica.
Uma lâmpada é acesa, e outra se apaga.

Uma mulher sorri para um homem.
Um homem agride uma mulher.
Ela grita, ninguém ouve. Silêncio.
Não há socorro. Não tem jardim.
Um rio atravessa a cidade.

Do outro lado, nasce um bebê.
- Ele não queria nascer!
Os pais se abraçam. Choram.
Emoção e incerteza. O caos.
A dor nasce da alegria!

Uma mariposa voa desorientada.
O labirinto das ruas e da mente.
A cidade é uma grande teia.
O homem sabe o que construiu?
- Seu calvário. Seu túmulo!

domingo, 31 de julho de 2011

Alma Degenerada

Outrora homérico vate laureado,
Hoje ataúde de vermes vorazes
Tenta extenuado ver o que não pode,
Preso no repugnante corpo orgânico.


Na víscera superior, neuros explodem em
Descargas elétricas e aleatórias, enquanto
Estranhas células viajam alucinadas por
Um labirinto sem começo e sem fim.


Carcomido pelas próprias entranhas e
Alvo da facécia de seres vacantes.
O fétido zumbi - nessa carcaça danosa -
Perambula errante, até o dia do Juízo.


A Alma, assim presa no tecido putrefato,
Cria amaldiçoada do primeiro par,
Pena por pecados não cometidos
Cumprindo a promessa que não fez.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Vou escrever...

Sento, pego o lápis e o bloco.
Penso...
- Vou escrever o que não quero!
Sombra e Solidão. Caretas... Vazio.
- Vou escrever o que não quero!
Largo o lápis, levanto e olho na janela,
Não há nada a não ser Vacância...
- Vou escrever o que não quero!
Saio e vou para o parque. Um casal
Discutindo e o olhar perdido da criança.
Buzinas, gritos, cenas discrepantes...
- Seres alienados andam como zumbis!
Olho o cartaz no teatro: “Carmina Burana”
Bilheteria esgotada. Teatro cheio.
Mês passado era “Il Pagliacci”. Teatro vazio.
Um grito, tiros, corre-corre, um assalto.
- Vou escrever o que não quero!
Acendo o cigarro - ingrato amigo - e volto.
O telefone toca, convite para uma festa.
Festa!?... abro o vinho e ouço Pink Floyd:
“Comfortably Numb”...
- Você é legal mas é meio maluco! Dizem.
- Cadê as Árvores?...
- Cadê os Rios e as Lagoas?...
- Cadê o chocalhar do sapo?...
Restam ainda, a pureza da criança
E o sussurrar do vento...
Você é meio maluco...
Vou sonhar e acreditar no que não existe,
E vou escrever o que não quero! 

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Humanês

Nascer, crescer, envelhecer.
Antes, apaixonar, conhecer.
Namorar, noivar, e casar.

Plantar, colher, e comer.               
Tomar, juntar, e vender.
Refletir, pensar, e falar.

Pegar, levar, e largar.
Roubar, e arrepender.
Mover, temer e andar.

Cobiçar, desejar, querer.
Envaidecer, e endurecer.
Amar, sem saber Amar.

Ser amado sem saber.
Saber sem saber. Morrer.

O Espelho

Vê o ritmo na dança que zomba
Com olhos ardendo no fogo que vela,
E o rio de água turbulenta que batiza
No ritual macabro que aterroriza.

Abre a bica. Joga a água no rosto
Na tentativa de expulsar o Demo,
Que lhe revela sarcástico, a cena
De terror que reflete no espelho.

Amedrontado, acende o cigarro
E na fumaça vislumbra a sombra
Da consciência que não o larga.
- Amaldiçoa em vão o Purgatório!

Vê as pessoas na rua em frente
Irem de encontro ao cadafalso,
Como se fossem ao piquenique.
- Maldito seja o saber humano!

Vê uma criança sozinha na praça
Com o olhar distante e tristonho,
E entende que o ritual demoníaco,
É a consciência que julga e acusa.

Extemporâneo

Duas horas. Noite chuvosa.
É verão, estação das chuvas.
Olho pela janela do quarto
E vejo a água que cai e escorre.
Ah! Os sonhos...

No mundo que não reconheço,
Vivo e respiro o que não devia.
Oxalá não tivesse olhos para ver,
Não tivesse ouvidos para ouvir
E não blasfemasse tanto.

Há muito meu coração se tornou
Refém de uma tristeza profunda.
A melancolia viaja nas veias e irriga
Minha mente de modo vertiginoso.
Estou só, sufocado em minha dor!

Árvores secas e de triste aspecto,
Plantas sibilinas e ameaçadoras,
Ramificações espalhadas na terra
Como em busca de alguma presa,
Compõem a cena do antigo jardim.

Tento me lembrar das flores
E do canto da passarada!
Tento ouvir o som da cachoeira,
E sons escatológicos rasgam o cérebro!
- A antevéspera do Apocalipse!

A chuva me lembra a vó Dolores
“... lava a terra e a alma...”
Dizia ela da sua cadeira de balanço.
Sempre acreditei. Mas, agora...
- Tem algo errado com o tempo!

A chuva aumenta lá fora.
Imagens num vaivém constante.
A dimensão do tempo, o espaço.
Discrepâncias.
Ah! Vó Dolores...
- Preciso ainda acreditar!