Penso...
- Vou escrever o que não quero!
Sombra e Solidão. Caretas... Vazio.
- Vou escrever o que não quero!
Largo o lápis, levanto e olho na janela,
Não há nada a não ser Vacância...
- Vou escrever o que não quero!
Saio e vou para o parque. Um casal
Discutindo e o olhar perdido da criança.
Buzinas, gritos, cenas discrepantes...
- Seres alienados andam como zumbis!
Olho o cartaz no teatro: “Carmina Burana”
Bilheteria esgotada. Teatro cheio.
Mês passado era “Il Pagliacci”. Teatro vazio.
Um grito, tiros, corre-corre, um assalto.
- Vou escrever o que não quero!
Acendo o cigarro - ingrato amigo - e volto.
O telefone toca, convite para uma festa.
Festa!?... abro o vinho e ouço Pink Floyd:
“Comfortably Numb”...
- Você é legal mas é meio maluco! Dizem.
- Cadê as Árvores?...
- Cadê os Rios e as Lagoas?...
- Cadê o chocalhar do sapo?...
Restam ainda, a pureza da criança
E o sussurrar do vento...
Você é meio maluco...
Vou sonhar e acreditar no que não existe,
E vou escrever o que não quero!


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