Um livro esquecido na sala
E o velho abajour apagado,
O mofo da antiga poltrona.
Na moldura ogre, o quadro.
Na varanda passa um vulto
Enquanto ecoa o lamento.
O tic tac responde alheio
Ao ciclo mágico do tempo.
No jardim fantasmagórico
Zumbe o vento como uivo,
A dor que expõe o gemido
Da vida esquecida na casa.
A vida da gente que se foi
E o sorriso que se fez choro,
Fere o coração no meu peito
Nas lembranças da infância.
Para onde foi a alegre família
Que cantava ao som do violino?
Por que partiram e me deixaram
Junto a essa sufocante nostalgia?
- Segurem minha mão!
-Tirem-me desse lugar!

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