Chega a noite e me deito,
Tento dormir, não consigo.
Fecho os olhos, a mente turva,
Imagens disformes. A labareda.
Espectros voam, fazem barulho.
- Oh!!... Querem me devorar.
O quarto é um necrotério pálido.
Lugar macabro para o descanso!
Abro os olhos e nada muda.
A parede se move... Um túnel!...
- Pesadelo vivo da raça humana!
O preço de um ser miserável.
- Sepulcro consciente do verme insano!
Levanto, e cambaleando vou até a janela,
Luzes brilham num lusco-fusco lá embaixo,
E o fantasma da vida segue em sua tortura.
Um zumbido apavora, a dor rasga o peito,
- Onde está a cama?
Surge indecifrável uma voz cavernosa.
- Maldito som de um ser medonho!...
Olho o relógio, o ponteiro não anda.
Cúmplice hipócrita do silêncio fúnebre.
Ironia... Eu criei a máquina do tempo.
Juiz e carrasco da própria perversidade.
Puxo uma cadeira e sento.
- Aguardo a morte...
- ... Espero a vida.

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