Vermes medonhos, horrendos e pestilentos,
Roçam seu pêlo, e no enredo do medo,
Penetram nas entranhas estranhas rastejando,
E sugam de modo bruto seu sangue rubro.
Num fedorento e funesto quarto agoniza,
Travando no âmago uma injusta batalha.
No leito fétido repousa sua vã esperança,
Abocanhada e sugada pela boca macabra.
Lampejos de sonhos são pesadelos,
Negros e terríveis coriscos nos olhos,
Mostram os horrores do grego Dédalo,
Prisão do mundo criada pelo ser nefasto.
Num suspiro, longe de ser o último,
Seu carcomido e rasgado cérebro,
Compreende que o pai desse mundo
És tu, cruel e desgraçado monstro.

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