Outrora homérico vate laureado,
Hoje ataúde de vermes vorazes
Tenta extenuado ver o que não pode,
Preso no repugnante corpo orgânico.
Na víscera superior, neuros explodem em
Descargas elétricas e aleatórias, enquanto
Estranhas células viajam alucinadas por
Um labirinto sem começo e sem fim.
Carcomido pelas próprias entranhas e
Alvo da facécia de seres vacantes.
O fétido zumbi - nessa carcaça danosa -
Perambula errante, até o dia do Juízo.
A Alma, assim presa no tecido putrefato,
Cria amaldiçoada do primeiro par,
Pena por pecados não cometidos
Cumprindo a promessa que não fez.


Nenhum comentário:
Postar um comentário