Vê o ritmo na dança que zomba
Com olhos ardendo no fogo que vela,
E o rio de água turbulenta que batiza
No ritual macabro que aterroriza.
Abre a bica. Joga a água no rosto
Na tentativa de expulsar o Demo,
Que lhe revela sarcástico, a cena
De terror que reflete no espelho.
Amedrontado, acende o cigarro
E na fumaça vislumbra a sombra
Da consciência que não o larga.
- Amaldiçoa em vão o Purgatório!
Vê as pessoas na rua em frente
Irem de encontro ao cadafalso,
Como se fossem ao piquenique.
- Maldito seja o saber humano!
Vê uma criança sozinha na praça
Com o olhar distante e tristonho,
E entende que o ritual demoníaco,
É a consciência que julga e acusa.

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